PORTO ALEGRE 2008 - 236 ANOS *
*Nadir Silveira Dias
Descendentes da avançada civilização Atlântida, ilha-continente que dominava a navegação, as ciências e as artes, remanescentes da fidalguia dos imemoriais, místicos e míticos atlantes, uma colônia de imigrantes açorianos faz Porto Alegre nascer nos idos de 1752, a partir do seu estabelecimento na localidade denominada Ponta de Pedra, na Sesmaria de Santana que era capitaneada pelo intrépido Jerônimo de Ornellas e Vasconcellos, momento a partir do qual passou a se chamar Porto dos Casais.
Um pouco mais de uma década depois, em 1763, os castelhanos então comandados pelo governador de Buenos Aires, Don Pedro Cevallos, invadem o Rio Grande do Sul e dominam a marítima cidade de Rio Grande, fundada pelo Brigadeiro José da Silva Paes em 19.02.1737, a segunda portuguesa, depois de Santo Antônio da Patrulha, de 1719, uma vez que o Rio Grande espanhol já nascera em 1626, ao noroeste, com a fundação de São Nicolau.
Nesse ano da invasão, as populações portuguesas do norte da província migram para a região de Viamão, fundada em 1741, e para o novel Porto dos Casais.
Por édito eclesiástico de 26 de março de 1772, a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Viamão é dividida em duas e o Porto dos Casais passa a denominar-se Freguesia de São Francisco.
Mas não durou muito esse nome, pois em 18 de janeiro de 1773 um novo edital rebatiza a comunidade, que passa a se chamar Madre de Deus de Porto Alegre.
Nesse ponto, José Marcelino de Figueiredo, então o governador da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, ordena a transferência da Câmara Municipal de Viamão para Porto Alegre e a primitiva colônia açoriana se transforma na capital da província.
Além de se tornar centro administrativo, também passa a ser área militar e são construídas as primeiras paliçadas de madeira em torno da cidade. Por isso, as estreitas ruas da Porto Alegre colonial são projetadas como um labirinto, com nítido caráter defensivo. A nova capital prospera e em 1804 a Coroa Portuguesa instala a primeira alfândega do Rio Grande do Sul.
No entanto, a data exata (?) da fundação de Porto Alegre está definida como sendo em 26 de março de 1772, que disso faz certo a Lei Municipal nº 3.609/1971, sancionada pelo então prefeito Thompson Flores, em 29 de dezembro de 1971.
Porto Alegre (http://www.portoalegre.rs.gov.br), capital do Estado do Rio Grande do Sul, que já foi cognominada de Cidade Sorriso, também continua a ser a “Leal e Valerosa Cidade de Porto Alegre”, título nobiliárquico outorgado por Dom Pedro II, em 1841, pela lealdade com que se portou nos idos da Revolução Farroupilha (precisamente em 1836).
E apenas para disseminar ainda mais este querer, a poesia, a composição, do professor-senador, interpretada por belíssima voz, no compacto-disco do mesmo nome, em mais um ano de amor vivido com a amada Porto Alegre.
“Porto Alegre é demais!
Letra e música: José Fogaça
Intérprete: Isabela Fogaça
Porto Alegre é que tem / Um jeito legal / É lá que as gurias etc. e tal // Nas manhãs de domingo / Esperando o Gre-Nal / Passear pelo Brique / Num alto astral // Porto Alegre me faz / Tão sentimental / Porto Alegre me dói / Não diga a ninguém / Porto Alegre me tem / Não leve a mal / A saudade é demais / É lá que eu vivo em paz // Quem dera eu pudesse / Ligar o rádio e ouvir / Uma nova canção / Do Kleiton/Kledir // Andar pelos bares / Nas noites de abril / Roubar de repente / Um beijo vadio // (repete) // Porto Alegre é demais”
Não menos significativo, o jeito de ver e sentir de Manoelito de Ornellas -(Manoelito Guglielmi de Ornellas (Itaqui, 1903 – Porto Alegre, 1969), poeta e historiador. Principais obras de poesia: Rodeio de estrelas (1928), Coração (1929) e Arco-Íris (1930), no texto poético:
“Porto Alegre
A cidade de Porto Alegre é sempre nova para os meus olhos e minha emoção.
Gosto de suas avenidas e de seus parques, do Guaíba e de suas praias, de seus morros e de seu recanto de sombra.
Sinto a poesia imensa de suas auroras e seus crepúsculos...”
Confira na página: http://www.imagensviagens.com/br5_portoalegre.htm
Nesse contexto, para os de antes – e as 25 etnias da sua formação - ou para os de agora, neste ano de 2008, Porto Alegre comemora 236 anos, oficialmente, ou 256 anos do estabelecimento dos imigrantes açorianos, em 1752.
Ou ainda, e mais apropriadamente, ao meu entendimento e sentir, neste 2008 Porto Alegre deveria comemorar 268 anos a partir de 05 de novembro de 1740, data da Carta Régia de outorga da Sesmaria de Santana para Jerônimo de Ornellas e Vasconcellos.
Seja como for, longa vida, bela vida, Porto Alegre (!), Sorriso dos Meus Amores! Amada Porto Alegre!
Neste ano de 2008 as comemorações da 49ª Semana de Porto Alegre iniciaram no dia 24 e se estendem até 30 de março:
“Mais de 100 eventos agitam a 49a Semana de Porto Alegre
Com 40 atrações musicais, 32 peças de teatro e dança, dez exposições, oito encontros de literatura, 15 filmes e dez eventos diversos, espalhados por 28 pontos da cidade entre os dias 24 e 30 de março, a 49a Semana de Porto Alegre vai oferecer uma programação bastante diversificada e gratuita.
A abertura acontece no Teatro Renascença dia 24 às 21h, com o virtuose argentino do acordeón, Raulito Barboza e o também internacionalmente consagrado Alter Quintet. A maior concentração de eventos acontecerá entre as 10h do dia 29 (sábado) e as 20h do dia 30 (domingo), com o projeto 24 Horas de Cultura, ponto alto das comemorações dos 236 anos da capital gaúcha, produzido pela Secretaria Municipal da Cultura.”
Confira! Você vai gostar!
25.03.2008
* Escritor e Poeta – nadirsdias@yahoo.com.br
Nadir Silveira Dias
Publicado no Recanto das Letras em 26/03/2008
Código do texto: T916803

* Nadir Silveira Dias é o atual Presidente (Gestão 2006-2008), Coordenador da Área de Publicações e Organizador de Antologias da Sociedade Partenon Literário. Jurista, Escritor e Poeta. Assessor Jub. de Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Ex-Presidente (Gestão 2004-2006), Coordenador da Área de Publicações e Organizador de Antologias da Sociedade Partenon Literário. Ex-Vice-Presidente e Coordenador da Área de Publicações e Organizador de Antologias (Gestão 2002-2004), e Advogado autor dos livros “Locação de Imóveis Comentada em Locuções e Verbetes”, Livraria do Advogado, Porto Alegre, e “Direitos do Locatário versus Direitos do Locador”. Publicou ainda “Rastros do Sentir” e “Satírico & Afins”. Integra a Casa do Poeta Riograndense – CAPORI, Porto Alegre, RS; a Sociedade Partenon Literário, Sócio Fundador – Porto Alegre, RS; a Casa do Poeta de São Luiz Gonzaga, Sócio Benemérito, a Associação São-Luizense de Autores-ASAS, São Luiz Gonzaga, RS; o Conselho Acadêmico do Clube dos Escritores Piracicaba, Cadeira 77, Patrona Ines Silveira Dias, Piracicaba, SP. É Cônsul de Poetas del Mundo (Porto Alegre - Z-SO - RS – Brasil). É jurado da Associação Artística e Literária “A Palavra do Século XXI” – ALPAS XXI, a partir do IV Concurso Internacional de Poesias, Contos e Crônicas em Português e Espanhol (Coletânea Estalidos), do V Concurso Internacional de Poesias, Contos e Crônicas em Português e Espanhol (Coletânea Desafios), do VI Concurso... (Coletânea Entrelinhas), do VII Concurso... (Coletânea Eros e outros temas), do IX Concurso (Coletânea Refúgio das Ventanias), e do XI Concurso (Coletânea...). Jurado dos Concursos 10ª e XII Imagens de Quintana, da Casa do Poeta Riograndense. Colunista do saite www.oemissario.com.br -
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